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Digo eu

Digo eu

Se o tempo esperasse

 

 

 

 

Gostava de te ter sempre comigo. Seria como se o sol nunca se fosse, como se o verão durasse para sempre mas sem o calor insuportável. Eu sei que não é possível, que tudo mudou entretanto e nada nesse aspecto  se assemelha às fases da lua que vão e voltam, entre espaços regulares. 

 

Em relação a ti, eu tenho sempre aquele feeling que passa tudo tão rápido que nunca chego a matar as saudades. O tempo de espera é muito mais longo do que eu gostava e quando chega a hora de nos encontrarmos, não temos tempo de nos gozarmos. Chegas e logo sais, à procura de outra gente, mais da tua idade. Imagino os abraços, as farras, os copos e os risos, tudo aquilo que te faz voltar a outro andamento mais descontraído, numa altura de pausa que é preciso aproveitar para curtir, sem ter horários para cumprir. Descansar... Nada.  Está tudo na mesma, mas todos mudaram e nem todos te festejam como esperavas. Dá para notar que lá no fundo, fica uma certa nostalgia de outras alturas em que mais te identificavas, porque não conhecias mais nada. 

 

Eu entretanto também mudei. Tive que me adaptar e me reorganizar. Não é nada fácil mas é o que tem que ser. Contra isso não posso fazer mais nada senão  aceitar e viver o melhor possível, sem ter por perto o melhor sol de todos, aquele que me aquece a alma. Para mim, o previsto começa a ser mesmo evidente. Os anos passam e a gente vai envelhecendo sem a menor chance de parar o tempo. Devia haver um “remote control” que nos fizesse travar para apreciar os bons momentos, ou pelo menos que os fizesse andar em “slow motion”, para que se visse cada detalhe.  

 

 

Só nas lembranças reside esse prazer. De resto há que continuar e acumular experiências, esperar por novos encontros com gente que nos vai fazer sentir outras coisas como a maturidade, o “know-how”, a responsabilidade e outros agrados especiais que a vida nos traz.