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Digo eu

Digo eu

Um dia na capital

 

Só vos digo que hoje sai da nossa querida vilória e fui até à capital! Pudera, não tive outro remédio depois do convite tão amável da minha amiga Mónica, que nasceu com o fogo no rabo. Oh mulher calma! Um dia destes ainda me dá um treco, daqueles de ficar de boca à banda com tanta correria e tanto despacho.

“Filha,  vou-te levar a Lisboa na 5a feira! Vamos lá almoçar e depois tenho uma surpresa”! Recebi esta mensagem irresistível que me deixou curiosa. 

Pensei em tudo menos na surpresa que foi. Achei inclusivamente que a minha filha Joana se tinha enfiado num avião para me vir visitar - Delírios duma mãe histérica de saudades - 

Primeira surpresa: A Pinoca também veio. Boa! Lá fomos nós daqui a voar na auto-estrada, num dia solarengo como o de hoje, em que já não apetece meter os pés na praia. 

Segunda surpresa: Almoço nas Amoreiras com o nosso tão querido António Bernardo, que reúne uma série de qualidades bastante apreciáveis. Em primeiro lugar é uma brasa. Em segundo, acha-nos graça o que é meio caminho andado para eu me sentir à vontade para dizer todos os palavrões que me vêm à cabeça, enquanto conto as minhas histórias.  Em terceiro,  é um cavalheiro cheio de charme, sorridente e generoso.  Ofereceu-nos o almoço e convidou-nos para beber café no seu escritório com uma vista espectacular sobre a cidade. O resto das qualidades, que hão-de ser muito mais, a Mónica é que sabe eu nem me atrevo a especular.

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Saímos dali numa correria danada! A Mónica nem deu tempo à Mónica minha sobrinha que trabalha ali ao lado, para vir ter connosco, mesmo depois de ter falado com ela mais de 5 vezes para lhe dizer onde estávamos.  Descemos no elevador a correr, entrámos no carro a correr e lá fomos nós a 200 km à hora pelas ruas de Lisboa,  em direcção à surpresa prometida. Tive a confirmação que não era a Joana que tinha vindo visitar-me, quando me vi a voar em direcção ao rio. Mais um bocadinho e tínhamos ficado a nadar se por acaso a Mónica se tivesse esquecido das curvas e contra curvas,  em que convinha no mínimo abrandar. Ela é tão entusiasmada que nunca se sabe!

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Às tantas fez-se me luz e a terceira surpresa, a tal que me fez ir à capital,  começou a ser mais do que evidente. Íamos conhecer o novo museu de Lisboa, uma obra arquitectónica fabulosa, mesmo colada ao Museu de Electricidade. Não há dúvida que o edifício em si é colossal. O problema é que ainda não tem nada para ver, a não ser uma sala cheia de bolas, onde a malta se deita e fica a apreciar a luz que vai mudando ao som das ondas do mar. A experiência tem a duração de 7 minutos, durante os quais aproveitámos para relaxar, não tanto quanto gostaríamos já que batíamos o dente por causa do ar condicionado. 

Saímos de lá para a rua onde o calor era de matar. Achei logo que ir ficar com uma amigdalite e quando olhei para a Pinoca, ela estava completamente exausta!  Contemplámos mais uma vez a vista por brevíssimos instantes, tirámos selfies como manda a praxe e lá viemos nós a voar em direcção a Cascais. 

O programa foi divertido e agradeço à Mónica ter-me arrancado de casa. Se ela não se tivesse lembrado de mim, o mais certo era ter ficado em casa a aspirar pela milésima vez os pêlos dos cães que são uma verdadeira praga. 

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Beijinhos miúda és um espectáculo! Da próxima vez que me convidares para passear,  avisa-me com uma certa antecedência,  para eu me preparar física e mentalmente e talvez possa ficar com a pedalada que é preciso ter para te  acompanhar.  

 

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