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Digo eu

Digo eu

Herança

 

 

 

 

Mãe e Pai conseguem ouvir-me? Continuam juntos a olhar por nós? Claro que acredito no céu e na vida depois da morte. Pensar que nunca mais vos via, isso sim seria para mim a morte... Mas farto-me de pensar como será essa vida e se há um espaço físico por onde andam ou se essa dimensão é tão espantosa que não se possa explicar.  Não é que seja difícil acreditar que há uma alma em cada um de nós,   mas a presença física faz tanta falta! Ficámos todos diferentes e vamos envelhecendo com a esperança de um dia nos encontrarmos. Oxalá eu possa  reconhecer-vos e sentir a vossa presença a envolver-me, como nos velhos tempos em que por cá andavam.

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Um dia todos seremos estrelas do universo que o homem não pode alcançar, mas poderá sentir a presença através de outros olhares, os tais que ainda cá ficam e que fazem parte duma herança, a mais rica que o homem pode deixar. A vossa é sensacional! 

Quem me havia de dizer

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Quem me havia de dizer no passado, quando eu era pequena e brincava de mãe das minhas bonecas, cuidando delas como se fossem bebés de verdade, que um dia eu iria ser mãe à séria com tantas responsabilidades?

Dar mimo só não basta. É preciso ter todo o cuidado e todo o cuidado é pouco, desde que nascem.

Alimentar só não basta. É preciso ter atenção ao que se come, ver se presta e se é saudável para ter a certeza daquilo que se lhes passa tem todos os nutrientes necessários,  para que o crescimento se proceda de forma benéfica.

Dar banho só não basta. A higiene tem que ser feita regularmente, trocar de fralda, limpar a pele e cobri-la com creme que não cause nenhum estrago. A roupa essa tem que ser limpa, sempre limpa e muito confortável, nem muito quente nem muito fresca e sempre feita a partir dos melhores materiais existentes no mercado. Algodão do mais puro que existe, nada que pique, nada que possa causar a mínima irritação da pele tão extraordinariamente suave. As mãos e os pés requerem uma atenção permanente. Nada de cotão enrolado naquelas mãos pequeninas, nada de unhas compridas, nada de temperaturas baixas naqueles pés que apetece beijar. 

Febres e doenças, tosses e vómitos, fezes que não querem sair ou que são muito moles, respirações que apitam, choros e birras, dentes que rompem ao nascer do sol e noites em branco aos magotes. 

O primeiro sorriso. A gargalhada que vem e nos desmancha na hora. Gatinhar a 300 à hora com as mãos direitinhas às fichas, aos fios dos candeeiros e a tudo o que apanham para meter na boca. Vigilância é sempre pouca, mesmo quando não se faz mais nada. O corpo cede enquanto o deles cresce e engorda com tanta papa gostosa. 

Os primeiros passos, cuidado! Os cantos das mesas onde batem,  as gavetas abertas que lhes caem na cabeça, os talheres na mesa que pegam para brincar e o perigo de os espetar num olho. 

Os raios de sol, o chapéu na cabeça, o creme protector. A areia na boca e nos olhos, as ondas do mar e as poças, a hora de guinchar com fome, com sono e porque teimam e estão cansados, porque querem e não querem e já é hora de ir para casa com o arsenal todo às costas.

A escola, os trabalhos de casa, as notas. Os amigos, os inimigos e a bulhas. 

E eles crescem e dão ainda mais trabalho. Requerem mais atenção e cuidado. Choram, gritam, contestam. Põe-nos à prova e testam a nossa paciência e as nossas capacidades.  Repetimo-nos para os tentar educar e eles provocam-nos, desobedecem e fazem disparates. Apanham bezanas de caixão à cova, andam de moto e de carro a altas horas de madrugada. Eles não dormem e não nos deixam dormir, mesmo estando exaustas. 

Seguem-se as paixões, os delírios e os desgostos. O faz de conta e a realidade. O que tentamos adivinhar porque eles não falam e o que dizem de nós com quem não deviam falar.  As intrigas, o boatos. As chatices e a água na fervura. A universidade. Os estudos, as saídas e as entradas vão sendo raras. Dormem noutra casa qualquer e um belo dia anunciam que cresceram e que provavelmente não voltam mais. 

O orgulho é imenso por tudo o que alcançam, as razões são imensas e reais e as preocupações nunca acabam. 

 

Uma questão de fé

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Eu não sou beata mas não condeno quem o escolhe ser.. É uma escolha como outra qualquer, consciente e saudável. A minha e a de quem o é. Não quero entrar em choque nem em conflito com quem acredita que ir à missa ao domingo, faz deles pessoas melhores do que os que não o fazem, já que  tanto eles como eu cremos em Deus, exactamente da mesma maneira. A única diferença é que eu não vou à missa por obrigação mas sim quando me apetece. 

Sinto-me no direito de dizer que sou católica, porque o sou, vivendo segundo os princípios ensinados por Cristo, tentando fazer o bem e ajudando aqueles que posso, comportando-me na minha vida de acordo com tudo o que me foi ensinado e que considero fundamental para uma vida sã.

Não aponto o dedo aos que se confessam e aos que comungam, estando esses plenamente convencidos (ou não) que é assim que estão mais perto da salvação e longe no fogo do inferno.  Há quem diga que não ir à missa é um pecado mortal, o que pressupõe que todo o bem que se faça não conta para o juízo final. Como se Deus estivesse lá em cima a tomar nota num caderninho, riscando do mapa do céu os que como eu, não se apresentam na igreja para assistir à Eucaristia, pelo menos uma vez por semana.

Meus amigos tenham paciência mas não consigo acreditar em nada disso. Acredito noutras coisas mais importantes que fazem muito mais sentido, como gestos e manifestações de puro companheirismo e caridade, caridade essa que deve começar em casa e depois estender-se aos demais.

Para mim ser católica é ter consciência das minhas fraquezas e da dos outros, saber perdoar na hora certa e ajudar quem precisa, tentando sair do meu prisma, da minha conchinha, do meu lugar para ver como seria a minha vida se estivesse no lugar dos outros. Essa capacidade tem-me sido muito útil, o que não significa que eu proceda sempre da maneira mais correcta e mais altruísta. Mea culpa quando não estou inteiramente disponível, quando não me apetece, quando não consigo, quando não posso, quando não reajo. Mea culpa quando sou egoísta e penso em mim antes de pensar nos outros. Mea culpa quando a minha paciência se esgota ou pura e simplesmente quando não tenho saco. 

Eu não sou beata mas tenho consciência dos meus pecados. Eu acredito e duvido de muitas coisas, mas não questiono a existência de Deus como o melhor significado de pura bondade. Considero que estamos aqui uns para os outros e porque outros decidiram multiplicar-se. Devo tudo o que sou aos meus queridos pais. 

Uma questão de solidariedade

 

 

 

 

Ontem foi um dia cheio e útil. Enquanto separávamos roupa  e a dobrávamos, empacotanto tudo por itens para os fazer chegar ao destino, um lugar que vai ficar vazio pela partida de gente que não sabe o que lhes vai acontecer, imaginei a importância de cada uma daquelas peças, os corpos que já tinham sido aconchegados por elas e o seu significado. Por onde teriam passado todos os sacos-cama e as aventuras que os seus donos teriam vivido, o frio que tinha sido evitado pelo uso dos cobertores e das mantas, os quilómetros que se fizeram com o calçado, e todas as fases em que aqueles objectos serviram o seu propósito. Devidamente empacotados vão agora ser aproveitados para aquecer outros corpos e outras almas,  de gente que precisa destes gestos de solidariedade. Que um dia se acabe a travessia do deserto e que cheguem sãos e salvos à terra que os acolha com a dignidade que merecem. Que possam reconstruir as suas vidas, sem que ninguém lhes diga que não era ali que deveriam ter chegado. Que Deus os acompanhe sempre neste caminho e que a esperança nunca lhes seja retirada pela gravidade das resistências que vão encontrando. Que levem no coração a bondade dos que os ajudaram e não a intolerância dos que não o conseguem fazer.

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Não sei se me faço entender

 

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Não consigo parar de pensar nelas. Nas minhas filha claro. Quem mais poderia ser senão aquelas miúdas lindas que em 2 segundos se tornaram mulheres? Nunca achei que iria ser fácil ver a casa vazia, apesar de aceitar que esta trampa é mesmo assim. O facto de aceitar, não me impede de sentir que essa ausência me torna mais pequenina e frágil. Eu já nem sei como explicar pela milionésima vez o transtorno que isto me causa e a chatice que deve ser para quem se dá ao trabalho de ler repetidamente a conversa de sempre.

Elas não me saem da cabeça a toda a hora e momento, imaginado eu a toda a hora o que será que estão a fazer enquanto escrevo, quando me levanto e me deito e durante esse intervalo que tem o meu dia, onde faço o que tenho a fazer. Todos os dias. Não sei se é panca ou se é normal, se é o que todas as mães sentem quando os filhos se retiram de cena para viverem a cena deles, ou se sou eu que estou cada vez mais enlouquecida pelo silêncio dos diálogos que não se fazem. 

Elas já me deram mais de 50 mil conselhos sobre como eu deveria ocupar o meu tempo, como se isso fosse alterar as saudades ou compensar o distanciamento. 

Faça eu o que fizer, elas estão sempre presentes apesar de não estarem, porque nem me passa pela cabeça deixar de pensar nelas a toda a hora e momento. Se calhar estou obcecada e provavelmente não deveria estar, já que elas estão bem melhor do que eu. 

Logo eu que sempre lhes dei toda a liberdade do mundo, logo eu que nunca as castiguei  nem as proibi de saírem  para fazerem o que bem entendessem (dentro do que era normal), ando para aqui atirada, estúpida mesmo, com a estupidez da falta que me fazem. 

Será que me faço entender? 

Eu sei muito bem que esta passagem é inevitável. Também sei que quando se criam os filhos, eles hão-de partir para o mundo, um mundo onde passamos a não fazer a falta que sempre fizemos. O nosso fica irremediavelmente diferente. Por outro lado, não sou burra ao ponto de lhes fazer chantagem emocional ou de me deitar no chão a espernear que nem uma louca. O meu papel é e sempre será contribuir para que sejam felizes, dando-lhes sempre a coragem para vingarem no seu mundo, que um dia vai ser igual ao meu. 

É preciso ter calma

 

 

 

 

A vida dá tantas voltas e o tempo corre tão depressa que o melhor mesmo é ter calma. Não adianta nada querer viver tudo duma vez só. O estado caótico de paranóia completa por se andar sempre a galope, faz-me alguma confusão. Andamos todos esquecidos e atrapalhados por nos esquecermos das palavras mais básicas e de nomes que estão mesmo debaixo da língua que não conseguimos verbalizar. “Como é que se chama aquela merda?”  Essa é agora a pergunta mais frequente e badalada, aquela que anda na boca de toda a gente como se fosse uma pastilha elástica.  Assim não vamos lá. 

Aposto com quem quiser que nessa correria, não se encontra nada daquilo que se procura, muito menos a paz de espírito que é preciso para gozar a vida. Andamos semi-contentes, semi-acordados, semi-estupidificados pela pressa do dia que só tem 24 horas, em que quase metade se fecham os olhos para o descanso obrigatório. 

Abrimos e fechamos gavetas, vasculhamos a casa inteira à procura das chaves de casa ou do telemóvel que por acaso foram parar dentro do frigorífico, quando arrumámos as compras. É preciso fazer tanta coisa e temos tão pouco tempo que metade delas ficam pelo caminho. Esquecemo-nos até dos nomes dos filhos e trocamo-los pelo dos cães, ou chamamos pelos cães dando-lhes o nome dum dos filhos. Esta é a pressa em que vivemos.

Ajuda

 

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A luz vai-se apagar num sitio que poucos conhecem por aqui e um pouco por toda a parte, já que poucos se interessam. A falta de interesse não tem só a ver com comodismo mas também por excesso de informação de dramas no mundo inteiro, já para não falar nas crises políticas e financeiras que dão cabo do juízo e do bolso de muita gente.   

É mais uma luz que se apaga num dos sítios mais problemáticos da Europa - o chamado Jungle em Calais -  pela chegada sistemática de gente que foge de situações insustentáveis no próprio país. Ali esperam e atropelam-se e mesmo assim, há muitos que não perdem a fé, nem a esperança, nem os sorrisos amáveis, dormindo no chão duma barraca, enquanto sonham com uma vida melhor.

Há tanto sofrimento no mundo, que são mais uns que fazem parte da estatística dos miseráveis. Não estão em lugar nenhum relevante duma lista infindável de gente que precisa de reconstruir a vida que perderam, quando perderam tudo o que deixaram por fugirem à guerra e à morte certa.  

Há quem tenha sentido na pele os problemas que essa gente carrega na alma. Há quem tenha visto o que é ter ficado sem nada e acompanhado de perto a coragem de não desistir de pensar num futuro mais promissor. Sentiram, acompanharam, viveram, ajudaram e voltaram com o coração nas mãos, ficando-lhes na memória uma experiência inesquecível. Regressaram com vontade de continuar o que começaram - ajudar o próximo.  São essas pessoas que conseguem, apesar de tudo, fazer-me acreditar na bondade mais sincera, tendo como missão expandir o apoio aos mais desprotegidos.

A luz vai-se apagar e com ela morre a esperança daqueles que desejam alcançar um lugar onde pudessem reconquistar a dignidade que lhes foi roubada. Para onde vão?  Dizem que vão ser encaminhados para outros lugares, outros campos, outra miséria. Não sei onde se vai encontrar a solução, ou se alguma vez haverá uma solução justa. 

Sei que é possível ajudar quem quer continuar a sua missão.

A oportunidade duma página em branco

 

 

 

 

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Diante duma página em branco tudo é possível. É o começo dum desabafo ou o relato abreviado duma história qualquer que merece ocupar esse espaço imaculado e puro. Uma folha em branco não tem pecado ou se calhar é pecado deixa-la assim - Nua e crua.  É nela que vou desenhando conselhos que quero dar, opiniões que formulo, usando palavras que se unem a favor duma causa que desejo exprimir.  Elas precisam de sair à rua nessa página em branco, custe o que custar. No dia em que eu não as levar à rua, deixando-as entaladas na minha garganta a infestar as minhas entranhas, não pode ser bom sinal. Bom sinal é antes poder gozar dessa liberdade e sentir-me em pleno direito de o fazer, sem medo ou tabus de aproveitar uma área vazia de conteúdo. 

Ainda ontem me disse um miúdo, de quem gosto muito, que eu deveria ter um programa televisivo onde pudesse simplesmente falar. A minha forma de ver as coisas poderia ajudar meio mundo! Nem sei bem explicar o que senti durante os breves instantes que durou aquela conversa, já que nunca pensei ouvir esse elogio da boca dum miúdo. 

Eu sei que me preocupo com as pessoas e as pessoas sabem disso. A minha experiência de vida permite-me ir directa aos assuntos, com a intenção de ajudar, muitas vezes colocando-me no lugar dos outros. Daí a falar para uma câmara apontada à minha cara para aconselhar seja quem for, pessoas que nem conheço, seria preciso ter muito à vontade e uma enorme lata, o que eu não tenho de todo.

Como ajudar os outros... ai está um tema interessante!  Imaginem-se diante duma página em branco - Uma oportunidade de fazer qualquer coisa, que não seja simplesmente joga-la no lixo. Há sempre uma maneira de a preencher e de lhe dar vida, assim como há sempre uma maneira de ajudar quem precisa, usando a sabedoria, a paciência, a persistência, e sim  - uma boa dose de amor. 

Mil razões para chorar

 

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Estar sozinha não é das coisas que me faz mais diferença, devo dizer. Aproveito para arrumar a cabeça, todas as informações que me vão chegando, os pontos de vista que devem mudar de lugar para que eu possa sentir-me no lugar dos outros. A inteligência serve para isso mesmo. Para mudar de ideias sempre que for preciso, ou trocar as prioridades. O que é mais importante num determinado momento passa à frente porque a consciência do coração assim mo diz, sendo que os outros assuntos podem esperar. Enquanto isso faço o que tenho a fazer, ou não. 

Há questões e questões. As afectivas são sempre para mim as que merecem estar na ordem do dia, uma vez que envolvem a parte sentimental. Sentir é como respirar e vem sempre a propósito. É por isso que continuo viva. Se eu não sentisse nada e andasse por aqui só por andar, fazendo tudo automaticamente sem vontade nenhuma (o que também acontece),  não poderia dar importância ao que tem mais valor nesta vida - As ligações de afectividade

Tenho muito mais presente os laços de ternura do que o lado racional. As pessoas muito racionais são geralmente chatas, coerentes, sensatas, politicamente correctas e moralistas,  agindo sempre de acordo com uma razão qualquer que por qualquer razão faz imenso sentido.  

Ao mesmo tempo ouvir o coração  é para mim uma das decisões mais racionais que podem existir e é por ele que me guio. Por isso, quando me virem com o ar mais calmo do mundo numa situação delicada, não se enganem a meu respeito achando que sou uma rocha impenetrável, onde tudo o que bate não dói. Uma mulher que não chora tem mil razões para chorar. 

Um dia na capital

 

Só vos digo que hoje sai da nossa querida vilória e fui até à capital! Pudera, não tive outro remédio depois do convite tão amável da minha amiga Mónica, que nasceu com o fogo no rabo. Oh mulher calma! Um dia destes ainda me dá um treco, daqueles de ficar de boca à banda com tanta correria e tanto despacho.

“Filha,  vou-te levar a Lisboa na 5a feira! Vamos lá almoçar e depois tenho uma surpresa”! Recebi esta mensagem irresistível que me deixou curiosa. 

Pensei em tudo menos na surpresa que foi. Achei inclusivamente que a minha filha Joana se tinha enfiado num avião para me vir visitar - Delírios duma mãe histérica de saudades - 

Primeira surpresa: A Pinoca também veio. Boa! Lá fomos nós daqui a voar na auto-estrada, num dia solarengo como o de hoje, em que já não apetece meter os pés na praia. 

Segunda surpresa: Almoço nas Amoreiras com o nosso tão querido António Bernardo, que reúne uma série de qualidades bastante apreciáveis. Em primeiro lugar é uma brasa. Em segundo, acha-nos graça o que é meio caminho andado para eu me sentir à vontade para dizer todos os palavrões que me vêm à cabeça, enquanto conto as minhas histórias.  Em terceiro,  é um cavalheiro cheio de charme, sorridente e generoso.  Ofereceu-nos o almoço e convidou-nos para beber café no seu escritório com uma vista espectacular sobre a cidade. O resto das qualidades, que hão-de ser muito mais, a Mónica é que sabe eu nem me atrevo a especular.

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Saímos dali numa correria danada! A Mónica nem deu tempo à Mónica minha sobrinha que trabalha ali ao lado, para vir ter connosco, mesmo depois de ter falado com ela mais de 5 vezes para lhe dizer onde estávamos.  Descemos no elevador a correr, entrámos no carro a correr e lá fomos nós a 200 km à hora pelas ruas de Lisboa,  em direcção à surpresa prometida. Tive a confirmação que não era a Joana que tinha vindo visitar-me, quando me vi a voar em direcção ao rio. Mais um bocadinho e tínhamos ficado a nadar se por acaso a Mónica se tivesse esquecido das curvas e contra curvas,  em que convinha no mínimo abrandar. Ela é tão entusiasmada que nunca se sabe!

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Às tantas fez-se me luz e a terceira surpresa, a tal que me fez ir à capital,  começou a ser mais do que evidente. Íamos conhecer o novo museu de Lisboa, uma obra arquitectónica fabulosa, mesmo colada ao Museu de Electricidade. Não há dúvida que o edifício em si é colossal. O problema é que ainda não tem nada para ver, a não ser uma sala cheia de bolas, onde a malta se deita e fica a apreciar a luz que vai mudando ao som das ondas do mar. A experiência tem a duração de 7 minutos, durante os quais aproveitámos para relaxar, não tanto quanto gostaríamos já que batíamos o dente por causa do ar condicionado. 

Saímos de lá para a rua onde o calor era de matar. Achei logo que ir ficar com uma amigdalite e quando olhei para a Pinoca, ela estava completamente exausta!  Contemplámos mais uma vez a vista por brevíssimos instantes, tirámos selfies como manda a praxe e lá viemos nós a voar em direcção a Cascais. 

O programa foi divertido e agradeço à Mónica ter-me arrancado de casa. Se ela não se tivesse lembrado de mim, o mais certo era ter ficado em casa a aspirar pela milésima vez os pêlos dos cães que são uma verdadeira praga. 

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Beijinhos miúda és um espectáculo! Da próxima vez que me convidares para passear,  avisa-me com uma certa antecedência,  para eu me preparar física e mentalmente e talvez possa ficar com a pedalada que é preciso ter para te  acompanhar.  

 

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