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Digo eu

Digo eu

A caminho de Fátima


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Os meus ataques. Sempre os meus ataques que me entram porta adentro sem avisar,  indiferentes à minha resistência ou à falta dela. Instalam-se como se isto fosse tudo deles, dando-me assim um enjoo e uma atracção esquisita pela minha almofada.

Resisto até certo ponto. Não resisto quando se trata de comer chocolate ou amendoins com uma sofreguidão quase boçal. Não é uma questão de fome. Antes fosse! Anda tudo à roda da aflição de sempre, o eterno e tão estafermo estado de ansiedade. Ponho-me às voltas e tento reorganizar-me. É preciso ter calma. Mas antes da calma chegar, sinto o coração a bater-me na goela e um cansaço sui generis, daqueles que só apetece hibernar. Daí eu falar da fatal pela almofada.  

Por mais que eu tente assobiar para o ar ou  fingir que não é nada comigo, não consigo evitar que o pensamento me fuja  em direcção a coisas que eu não quero nem pensar. Ah os malucos e os deprimidos, os que têm o rabo colado à cadeira, o coração dormente que já pouco sente e a cabeça atormentada por fantasmas. Deus me livre disso!

 “Ai filha estás uma mistura explosiva entre aquela e a outra”! Apontam-me o dedo cheio de evidências e certezas,  sem lhes ocorrer que, lá no fundo, essa comparação não tem a menor graça. Não pretendo citar nomes. Não me quero parecer com ninguém senão comigo mesma, sem ficar agarrada à desculpa de que somos todos inevitavelmente iguais, pura questão de genética, como se fosse a melhor desculpa para tudo o que nos corre nas veias! Não tenho paciência para essa conversa. 

Tenho os meus ataques e os outros têm os seus. Todos os temos. Uns porque são ansiosos, outros porque têm manias, outros porque vivem insatisfeitos com o dia a dia e outros ainda por outras razões quaisquer. Não sei de ninguém que seja perfeitamente equilibrado, que ande sempre contente, que ache tudo perfeito. Se há gente assim, eu desconheço e nem nunca ouvi falar. 

Há quem tente arranjar equilíbrio no meio das correntes adversas e há quem se deixe arrastar para se juntar aos patéticos, batendo com a cabeça nas paredes ou vingando-se em coisas ainda mais patéticas.  Há quem se vire para Deus para encontrar a paz, outros para o desporto e para uma alimentação saudável e há ainda uns que se afastam da cidade, procurando um refúgio no cu do mundo, de preferência bem longe da civilização, do barulho e das correrias diárias. Arranjam uma horta e plantam couves compulsivamente ou outra merda qualquer. Há aqueles, cheios de força de vontade, que dum dia para o outro largam todos os vícios, o que é de louvar. 

Será que são mais equilibrados? Deve haver alguns... Mas no meio deles, também há os que viram fanáticos e obsessivos, olhando de lado para os não aderentes às suas novas convicções, como se fossem todos uma cambada de anormais. 

Eu e os meus ataques temos em comum uma longa história mas nada de muito grave. Mesmo assim estarei a caminho de Fátima no próximo sábado. 

Eu e os meus ataques temos em comum uma longa história mas nada de muito grave. Mesmo assim estarei a caminho de Fátima no próximo sábado.