Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Digo eu

Digo eu

Ai oh mãe páre de ser chata, vá lá!

 

 

Quem não gosta de ser mãe que ponha o dedo no ar. Ah bem me parecia... Não vejo ai ninguém que se acuse ou que tenha a ousadia de dizer, assim preto no branco, que foi o maior erro da sua vida. Pois é minhas lindas, todas gostamos.  Mas há que admitir que não é tarefa fácil. Ser mãe não é só parir e andar, deixando que os filhos cresçam sozinhos e se desenrasquem.  Ser mãe tem muito que se lhe diga.

No meu caso, reconheço que é uma profissão que vicia e me deixa cheia de adrenalina. É tão exigente quanto maravilhosa e cansativa, ao ponto de se ficar “ad eternum” com os nervos em franja, os pés em leque e dores por tudo o que é lado. Os meninos caem e a gente contrai-se, ficando para sempre com contraturas graves, problemas de coluna e mais aquela ciática(zinha) de se cair para a banda a ganir e a chorar. 

Se ser intuitiva chegasse para levar com os créditos todos da melhor mãe do mundo, estava-se bem. O problema é que atrás da intuição vem também a dúvida, o medo, a hesitação. Vêm tantas vezes os problemas de consciência e o terror de ter falhado, que se acaba por ficar meio estúpida a fazer tudo ao contrário.

Eu cá perguntei-me vezes sem conta se sempre estive atenta ou se por acaso deixei escapar algum detalhe importante, num momento de distração da minha parte.  Fazer tudo ao mesmo tempo e querer ser o mais justa e o mais perfeita possível é mesmo impossível, o que ainda irrita mais. Depois vem o sentimento de culpa, uma culpa de tudo e de nada que em nada se justifica. É ou não é verdade?   Aposto que todas sentem o mesmo, que já passaram noites em branco por causa dessa condição de ser mãe e das merdas todas que temos que aturar. Mas é bom. É mesmo muito bom ser-se mãe mesmo que os filhos nos deem dores de cabeça permanentes. 

O maior erro de todos é aquele que quase todas as mães cometem: não deixar que os filhos sofram, estar sistematicamente em cima dos acontecimentos e querer saber sempre tudo o que se passa. Custa mesmo chegar à conclusão que o sofrimento é inevitável, quer queiramos, quer não. Temos que meter nas nossas cabecinhas tontas que sofrer é natural. Então e nós não passámos todas por isso? Valha-nos Deus e todos os Santos, Anjos e Arcanjos, há que acordar malta! Deixemos os putos em paz... 

O sentimento de culpa vem em simultâneo com o nervoso miudinho constante, ser-se obrigada a camuflar as fraquezas atrás duma fortaleza inexistente, fingindo ser uma super mulher igual ou melhor do que as que existem nos filmes de ficção, aplaudidas e louvadas pelos filhos. 

Não dá para perceber que se é muito chata, apesar de se ouvir repetidamente da boca dos próprios filhos que se é isso mesmo: uma chata. Então mas quem é que os educa? E se eles não fossem tão teimosos, nós não teríamos que ser chatas. Mais uma verdade, é ou não? 

Pois é somos chatas e então? Então não há nada a fazer senão reconhecer que é mais uma das muitas tarefas que é preciso gramar. Não nos preocupemos tanto com isso ou então corremos o risco de termos uma paralisia facial ou um ataque de nervos que convém acalmar. Relaxem filhas, um dia destes os putos ainda nos vão agradecer de termos sido tudo, incluindo chatas como a potassa.