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Digo eu

Digo eu

Amor e saudade

 

 

 

Não sei até que ponto nos apercebemos no decorrer na vida, do mal ou do bem que fazemos aos outros. Se é consciente ou inconsiderado. 

Há coisas que são mais do que evidentes, mas outras nem tanto. 

Só o facto de sermos quem somos e de termos a nossa personalidade, afecta quem convive connosco, principalmente se esse convívio é diário. 

Não são necessariamente os grandes lances. São mais até as pequenas particularidades. Os caprichos,  as excentricidades, as obsessões e os rituais de cada um. 

Nada passa despercebido. E quanto mais tempo passa, mais esses pontos se tornam no maior mostrengo à face do universo. São actos para nós inofensivos que para os outros viram incómodos indisfarçáveis.

Vamos esticando a corda, folgando-a de quando em quando, para a poder voltar a esticar. 

Testamos a tolerância, a simpatia, a compreensão e até mesmo o afecto de quem nos é próximo, como se fosse uma missão que prometemos um dia cumprir. 

Vêm elas do nosso ego, aquele bicho que habita em nós, cravado nos ossos, no coração e na alma.

As promessas de amor até à morte, vão sendo inevitavelmente postas em causa. 

Que amor é esse que tanto fere e agride?  Pode ser exploração da fragilidade alheia em prol da expansão do próprio espaço, onde a violência nem sempre se traduz em pancada. 

Às vezes ela chega através das palavras, outras através do silêncio, outras em actos de puro egoísmo, de indiferença total, de desrespeito e muito mais. 

E quando vem o arrependimento, por mais sincero que seja, talvez seja tarde demais. Cada passo deve ser dado a dois para que haja saudade.