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Digo eu

Digo eu

Consciência

 

 

 

 

 

Não sei se gostava de ser uma pessoa de sucesso. Ter sucesso dá muito trabalho e não é esse género de trabalho que aprecio.  No entanto, gostava de ser bem sucedida na vida. Até certo ponto até o sou. Faço muitas coisas que gosto sem ter que prestar contas a ninguém, o que por si só vale mais do que ser uma pessoa de sucesso. Poderia ganhar mais do que ganho, mas também poderia não ganhar nada. Em contrapartida ninguém manda em mim em termos hierárquicos, mas tenho uma consciência que me guia.

Levanto-me e deito-me sem prestar contas do meu dia a não ser a mim mesma. Ter consciência é isso. Pensar no que ando por aqui a fazer e saber se estou ou não satisfeita com a minha prestação diária. Às vezes acho que poderia ter sido melhor, outras acho que dei o que melhor que podia. 

Não tenho muitas posses, embora tenha algumas. Tenho uma casa, um carro não passo fome e tenho uma família. Não me posso comparar com os que nada têm nem com os que têm tudo. Provavelmente sou uma pessoa de sorte e às vezes nem me dou conta disso. Outras, dou comigo a pensar na sorte que me calhou e fico com vergonha por me ter queixado, quando olho para a realidade de vidas bem mais tristes do que a minha. Isso é ter consciência. Completo-me e sou espectadora de mim própria com centenas de vozes que me falam e me dirigem. Fui educada para ter consciência e apercebi-me dela com a minha primeira mentira.

Ter consciência condiciona toda a minha vida e talvez seja a única coisa que me impede de ser totalmente espontânea.