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Digo eu

Digo eu

Depois do 50

 

 

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Não foi aos 30 nem aos 40 que notei uma mudança substancial na minha maneira de encarar a vida. Foi já próximo dos 50. Fica-se com outro olhar mais benevolente, outra paciência mais refinada, ao mesmo tempo que se deixa de ver o supérfluo como um bem necessário. É evidente que a base da educação que recebi tem um peso fundamental nas decisões que agora tomo e nas outras que antes tomei, ou até mesmo como deixei de julgar o próximo, pegando em critérios ou preconceitos que agora deixaram de fazer qualquer sentido. Olhando para trás, nem sei como às vezes me deixei influenciar por  parâmetros tão ridículos.

Hoje não faço questão de me aproximar de gente que nada tem a ver comigo, nem de me incluir à força toda em programas de grupos descomunais que só me fazem ficar tonta. 

Cada vez mais preciso de tranquilidade, excepto quando estou em família, onde a tranquilidade nunca foi nem será o nosso forte. Tudo se permite nessas reuniões familiares. E quando digo tudo, é mesmo tudo: gritaria, palavrões, gargalhadas, discussões de faca e alguidar que acabam sempre bem e histórias do arco da velha onde há um fundo de verdade, com sucessivos “encores” para nos rirmos ainda mais. 

Nunca fui muito de julgar nem de fazer intrigas e tenho uma certa aversão aos que ai assentam as suas bases. Se já não alinhava aos 30 nem aos 40, depois dos 50 cheguei à conclusão que não há nada melhor do que poder dar-me ao luxo de lhes recusar tanto a minha companhia, como um pingo da minha consideração. A bem dizer seria um desperdício de tempo, tempo esse que é fundamental aproveitar com quem merece, com quem eu gosto e gosta de mim. 

Estou muito mais consciente do valor que as pessoas têm, independentemente da raça, das crenças ou do extracto social. Cada vez mais me convenço que ter dinheiro não significa ter boa educação ou respeito pelo próximo. Dou-me com toda a gente, desde que eu sinta que são pessoas decentes e dignas do meu respeito,  mesmo que o estilo de vida seja totalmente diferente do meu. Bem-vindos são todos os que, de uma maneira ou de outra me tocam e me fazem bem. Dispenso o convívio calculista, os fretes, as modas e o que convém.