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Digo eu

Digo eu

Não quero ter bigode!

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Já olhaste bem para mim?

Tenho um bom par de patorras e uns pés que nunca mais acabam, tal e qual como os meus irmãos.

Os meus braços são de macaco e não estou a exagerar até porque me chegam até aos joelhos, o que é feio mas disfarça-se. A grande vantagem é conseguir aceder ao topo das prateleiras dos armários, como se fosse alta e espadaúda, quando na realidade não passo dum mísero metro e 60. 

Não sei que raio de proporções são estas que me deram (“filha, tens um corpo de pobre” dizia a minha mãe) nem nunca percebi bem se isso era um insulto ou se era uma piada. Dei-me conta mais tarde que ter um corpo de pobre tem um “je ne sais quoi” que não sei se é género ou se é charme.  O mais interessante é que me encaixo em vários números, desde que estejam compreendidos entre o XS e o L. 

O cabelo não é preto, nem castanho, nem ruivo nem loiro. É uma mistura estranhíssima de todos esses tons que no verão com o sol ficam esverdeados. Além  disso, não é liso nem encaracolado mas tem umas ondas completamente desordenadas que eu já não tenho saco para pentear. Conforme me levanto, assim fica o cabelo indomável todo o santo dia, quer vá para a praia ou para a cidade. 

Descobri que andar desgrenhada é balda mas também sofisticado e não dá nenhum trabalho. Não sei se consegues ver a vantagem, nem tens sequer que concordar ou achar a menor das graças... Só há uma merda que me irrita: Os cabelos brancos espetados, com o dobro da espessura do cabelo normal, que não gramo nem com molho de tomate. É que sabes, ainda não cheguei àquela fase do “DeixaAndar, QueSeLixe, SouBelaMesmoAssim” ao natural. Para isso então também deixava crescer o buço e os pêlos no queixo à laia de bode. Lá mais para a frente no tempo, hei-de conseguir vencer a crise e deixar que os cabelos brancos sejam motivo de dignidade. 

 

Eu não digo que se aprende até morrer? Pois é querido amigo, isto de envelhecer tem muito que se lhe diga. Não dá para se deixar ir e ficar conforme o que o tempo nos trouxer. Um bocadinho de vaidade nunca fez mal a ninguém, mesmo com rugas, cabelos brancos e o bigode que é preciso arrancar até à morte.