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Digo eu

Digo eu

Não se é sábio por muito falar...

 

 

 

 

Apresentam-se diante das mais variadas conversas, duas hipóteses à minha escolha: falar ou ficar calada, opinar sobre o assunto caso esteja inteirada, ou simplesmente reduzir-me à minha insignificância se não souber o que digo.

Há palavras por dizer entaladas na minha garganta, ao ponto de me faltar o ar quando me irrito.  Fico calada quando decido não perturbar, ou no caso concreto de preferir não dar troco a quem não merece, ou a quem não me pretende ouvir, fazendo pouco caso daquilo que digo.  Solta-se de mim um suspiro, ora arrogante, ora  comedido, sem que eu o consiga deter, aliviando alguma da minha tensão que se esfuma no ar enquanto eu respiro. 

Não acredito na liberdade de expressão que tanto se apregoa como um bem adquirido. Não me é permitido dizer tudo o que quero, à hora em que o discurso faria sentido e às vezes obrigam-se a falar como se eu tivesse algum compromisso. 

Se ao menos quando eu falasse houvesse um efeito positivo, não seria preciso repetir-me, dando às minhas palavras um efeito massacrante e nocivo. Quem me ouve, nem sempre presta atenção ou interpreta mal o que digo, gerando-se uma discussão ou um mal-entendido. 

Fecho os olhos ou fumo um cigarro para pensar se falo e como o vou fazer, se direi o que é preciso, ou se é melhor escolher o silêncio como forma de comunicar, deixando aos demais intervenientes a opção que melhor lhes encaixar, esperando eu que o argumento seja conciso.