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Digo eu

Digo eu

Palavras leva-as o vento

 

 

 

Palavras.  Como elas falam a verdade mas também mentem. Eu amo as palavras mas também as temo,  porque às vezes elas são mal interpretadas, quando ao meu jeito as escrevo.  Nem sempre exprimem a ideia que quero transmitir, pela pressa ou pouco cuidado com que foram usadas, dando-lhes uma forma desajeitada, ficando quem as lê sem perceber. São palavras mal adaptadas ao que quis realmente dizer, o que às vezes, sem querer,  provoca quem se sentiu provocado, reagindo conforme o que entendeu. 

As palavras são brutais! Escritas, faladas, ou transformadas em silêncio. Não pensem que a ausência de palavras não fala. O silêncio diz tanto! Tanto que às vezes incomoda muito mais do que as palavras, ou ao contrário, pode ser a semente do melhor consenso entre duas pessoas que não precisam de muitas palavras para se fazerem entender. 

A pressa de dizer, um vício do ocidente, usa palavras gastas que separam e que ferem quem as ouve ou quem as lê. Não se dá tempo ao tempo para que as palavras sejam sentidas com o devido valor, aquele que se pretende atribuir mas que os outros entendem de forma diferente.   Elas também confortam, mas essas leva-as o vento e as nossas cabeças tontas depressa as esquecem, depressa também as descartam. Seria preciso inventar outras palavras de conciliação permanente que nunca fossem esquecidas, pelo uso de palavras esgotadas, as tais que usamos frequentemente. No oriente as palavras são trocadas pelo silêncio para que haja reflexão interior e compreensão abrangente. 

As palavras podem ser bonitas ou ofensivas. O mais extraordinário é que as palavras bonitas não têm o mesmo impacto que as ofensivas. Gostamos de ler ou de ouvir as bonitas, mas não as retemos como as ofensivas que deixam marcas sempre presentes.  Quer tenham sido escritas ou faladas intencionalmente, quer tenha sido pela forma descuidada com que foram aplicadas, na altura menos conveniente. O poder das palavras!  Tanto desumano e animalesco, pelo carácter de sentimentos depreciativos, ou belo e generoso pelo afecto compreensivo e temperamento protector.

As palavras são metade de quem as aplica, metade de quem as recebe e talvez por isso sustentem discussões onde ninguém é vencedor. As palavras são estranhas, lindas, assustadoras! São fundo sem fundo, terra sem chão, mas também uma grande fonte de inspiração para  os que escrevem, para os que leem, para os que falam e para os que preferem senti-las no silêncio.