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Digo eu

Digo eu

Volta sempre

 

 

 

 

Dou por mim sentada na mesa da cozinha a olhar para moscas imaginárias, sem vontade nenhuma de fazer seja o que for. 

Acontece sempre o mesmo cada vez que sais daqui para ir à tua vida. Sinto um vazio imenso, dificílimo de preencher. 

Não é que de repente não tenha nada que fazer. Deveria distrair-me com os meus afazeres, que são vários. 

O problema é que me arrasto como se tivesse mais 100 quilos em cima, com uma preguiça desmesurada. Só o simples facto de descer as escadas para beber café, torna-se um sacrifício, sabendo que já não estás no teu quarto a dormir, depois de teres chegado a altas horas da madrugada. 

A tua presença aqui far-me-á sempre falta, por mais que eu saiba que a tua vida se passa agora noutro lado. 

Mas esperar por ti para ir à praia, poder ir acordar-te e deitar-me ao teu lado, sentido o teu cheiro e ouvir-te respirar, traz-me a cada vez, uma tranquilidade e uma alegria inestimável. 

Ainda por cima, sei que desta vez saíste daqui com o coração apertado e com vontade de alongar o prazo. Gostarias de ter aqui ficado muito mais tempo do que o permitido.  Aproveitaste bem cada segundo e não houve ninguém com quem não tivesses estado. Divertiste-te à grande e mataste algumas das saudades, pedindo que as horas passassem a um ritmo mais lento, como se estivesses no espaço. 

A vida é assim. Nunca é igual. E se fosse, tu não irias gostar. Seria para ti um tédio se as férias se prolongassem. 

Mesmo quando eras pequena, a meio do verão dizias ter saudades da escola, deixando-me tão perplexa quanto fascinada.  

Meu amor, estarei sempre pronta para te receber. Nunca serás uma estranha nesta tua casa, onde cresceste e serás sempre amada. Volta sempre que quiseres e puderes, sem te sentires obrigada.